segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O desespero do silêncio

Medo do mar agitado? Não tema. Dizem que o perigo maior se aproxima quando a água está calma e se sente cheiro de melancia. Se isso é verdade ou não, não faço a mínima idéia. Mas é o que falam que precede um ataque de tubarão.

Essa informação me fez pensar numa analogia (acho que a palavra correta é essa, enfim): Como saber se uma pessoa está bem ou não, como saber quando alguém está perto de seu limite, perto de perder o juízo?

Por experiência própria, fingir é uma das melhores opções de se esconder sentimentos, sensações, pensamentos, situações e afins. Um alguém que você não suporta chega junto de você e seus amigos em comum, o que se faz? Deixa claro que não vai com a cara do(a) sujeito(a) ou finge ser amigável para não criar um clima desagradável? Na maioria das vezes fingimos.

Fingir gostar de alguém é até simples, fácil... Não dói! Difícil é fingir para si mesmo que está tudo bem, que não temos nada com que se preocupar, a vida é bela, o céu azul, nuvens rosas e tudo que quisermos cairá do céu. Mas não é tão fácil assim... Muitas vezes tranco as portas do quarto para tentar me esconder dos fantasmas que me perseguem. Som alto o suficiente para abafar o choro embaixo do travesseiro, uma água gelada no rosto para esconder olhos inchados de lacrimejar, um gole de cerveja para tirar o engasgo amargo da garganta.

Ser gente grande é difícil. Nem sempre estamos preparados à tempo. Nem sempre temos quem nos apóie, e sem um apoio, um suporte, alguém a quem queiramos nos espelhar, complica mais ainda. Ficamos desesperados, com medo, mas nem sempre gritamos.

Sofremos no silêncio...


Gilberto Martins Júnior.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Poema


Memórias de um arrepio, por Pietro Leal.

Você pode ter esquecido
mas minha memória é eterna
Eu sou aquele arrepio
sem vento e sem frio
subindo em sua perna

O grito comprimido dentro dum pote
O cheiro cheiroso
que te esquenta o cangote
Eu sou o inferno e sou a paz

O passado que vai à frente
e o presente correndo atrás
Eu sou aquele que te segue enquanto anda
tragando teu cheiro de mel e lavanda
Eu sou a sua libido viva

A gota saliva que escapole do beijo
escorre na louça e ilumina o que vejo
E mais do que justo segue sua trilha
deslisa em teu busto e transborda à virilha

Eu sou o que essa gota é agora
Passeio em seu corpo
pouso em sua mão
e vou embora.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Plano de Saúde?!

Domingão, amigos, diversão, música, bebida, noite chega e estamos embregados. "Vamo jogá bola?! VAMO!" A idéia mais imbecil que já ouvi. Ninguém acerta nada, e eu, por vez, além de acertar o vento, caio feito jaca mole, literalmente ▬ cai e se espatifa no chão ▬ e tome arranhões nas costas e cotovelos, sem contar na contusão na bacia, ou vulgarmente, na bunda. Enfim...
▬ Por sorte minha tatuagem salvou-se. ▬

Passa segunda, terça, quarta, dores, noites mal dormidas, curativos, pomada cicatrizante, gelo. Andar? MEDO! Cada passo, uma mancada, é sério. Finalmente quinta e resolvo procurar um médico. AGORA é que começa o dilema de verdade.

Existe o que chamamos "plano de saúde", para quem trabalha, se é de graça, bônus da empresa, e para os que podem, pagamos, e CARO!!! ligamos para vários hospitais para saber se nosso plano é aceito. É? Ótimo. Vamos! Portaria, recepção da emergência de um dos melhores do Recife. "Pois não?". Carteirinha do plano. "Desculpe, mas seu plano não é aceito aqui." Como não? Raiva, dor. ANDANDO vou à outro hospital. Atendido, muita gente, 'but no problem'. Voltando um pouco, no ponto de minha revolta.

Hospital PARTICULAR, ou seja, só pagando ou com plano de saúde. Tem? Tenho, mas não cobre mais. PUTAQUEPARIU!!! "Como assim Bial?". Anos antes fui nessa mesma emergência, plano de saúde igual, antendido. Hoje não? BIXO, eu só queria um curativo decente. Mas continuemos.

Para que serve então esses "planos de morte"? Nos lascamos para pagar, pouco usamos, e quando usamos nos fazem isso? Na frente do mesmo uma das mais movimentadas avenidas do Recife. Se eu me jogasse na frente de um carro, será que eu seria atendido/socorrido? Ou me encaminhariam para outro lugar? Revoltante. Imagino como devem se sentir os usuários do SUS, que deveria se chamar FVS: Foda-se Você Sozinho.

É de encher os olhos... DE LÁGRIMA, a situação em que encontramos a saúde pública e privada do país. Não vou falar da pública, pois não tenho embasamento.

Fundador e dono de hospital deve ser médico também. Se é médico, cursou MeRdicina, EITA, Medicina. Ao fim do curso, fez juramento: SALVAR VIDAS, entre outras coisas relacionadas com o bem-estar do induvíduo.

Tudo isso me fez pensar também na situação de quem não pode pagar. Mas falo disso em outro momento. Foi mais mesmo para desabafar, algo muito frustrante essa ida ao hospital.

"Have a nice day!"


Gilberto Martins Junior.